Eu não tenho ídolos. Tenho admiração por trabalho, dedicação e competência. (Ayrton Senna)

DICAS

Dica - Treinando a Mente!


Principais características psicológicas associadas à estrutura mental diferenciadora dos atletas de elite (Jones et al, 2002):

Auto-confiança: Ter uma crença inabalável na sua capacidade de atingir as metas competitivas. Qualidades únicas que o fazem melhor do que os seus adversários.

Motivação: Ter um desejo insaciável e motivação interna para ter sucesso (você realmente tem que querer isso). Capacidade de se recuperar das derrotas e do fraco desempenho com determinação crescente para ter sucesso.

Foco: Permanecer totalmente concentrado na tarefa em mãos perante distrações específica da concorrência. Capacidade de mudar o foco sempre que necessário. Não ser negativamente afetado pelo desempenho dos adversários ou pelas suas próprias distrações internas (preocupação, padrão mental negativo). Compostura sobre pressão.

Manipulação: Capaz de recuperar o controle psicológico na sequência de acontecimentos inesperados ou distrações, prosperando sobre a pressão da concorrência (abraçando a pressão, entrando no momento). Aceitar que a ansiedade é inevitável na competição e saber que pode lidar com ela. A componente-chave da tenacidade mental é aprender a condicionar a sua mente para pensar com confiança e ser capaz de superar a frustração / autocrítica negativa (ressignificação de auto verbalização para o que deseja que ocorra).

Todas as estratégias cognitivas, que eu apelido de Estratégias Mentais de Êxito, estabelecem uma forte relação com a capacidade que o atleta possa ter para ser positivo.

Pensar positivo, ter uma atitude positiva, expressar verbalizações positivas revela-se tão importante em treino quanto em competição.

Em competição, quanto mais você enfrenta a adversidade, mais positivo você tem que ser para construir a sua confiança e autoestima.

6 PASSOS NO DESENVOLVIMENTO DA TENACIDADE MENTAL

1. Comece com a atitude certa e estado de espírito alinhado com os seus objetivos de performance (coloque os seus sentimentos e pensamentos capacitadores na linha da frente, chame todos os recursos psicológicos até si e atinja um estado mental facilitador): A confiança vem em saber que você está preparado e se tem uma crença inabalável nas suas habilidades para alcançar os objetivos pretendidos. A confiança é sobre quem tem a coragem de competir como um guerreiro, sem medo do fracasso Capacidade de acionar o modo competitivo “Guerreiro Competitivo“ Coragem para dar tudo no recinto esportivo, jogar com o coração, determinação e foco total.

2. Programe a sua mente para o sucesso antes do tempo (antes da competição importante) com expectativas e afirmações positivas: Espere o melhor de si mesmo. Afirme que é que você que vai fazer tudo para ser bem sucedido Declarações de objetivos orientados e confiantes começam com “eu quero, eu posso, eu vou …”) Focalize-se naquelas coisas que você quer que ocorram, ao invés de coisas que você tem medo que possam dar errado Visualize-se a realizar a sua performance da maneira que pretende (confiante, focado, completamente energizado).

3. Padronize os seus comportamentos: Desenvolva uma rotina pré-performance ou pré-competitiva sistemática que promova o estado mental/emocional desejado (prática, pré-competição, competição) Prática (uma vez que você inicie o treino, comprometa-se a dar tudo que você tem, o que inclui fazer um compromisso de escutar, aprender, executar as habilidades / treinos com precisão e foco total) Pré-competição, desenvolva uma rotina sistemática de exercícios físicos e mentais (motivacionais, energéticos de confiança e elevado estado de recursos) Durante a competição (elevado foco atencional orientado para a elevada perfomance).

4. Atitude e compostura: Em caso de emergirem erros, rapidamente refocalizar a atenção para o que promove o elevado desempenho. Grande parte do treinamento mental é acerca de compensação, ajustamento, e confiança. Se o plano A não funcionar, vá para o plano B ou C Uso de “Pontos Focais” são eficazes para ajudar a retomar a atenção de volta para a tarefa em mãos Seja persistente e mentalmente tenaz, não permite que a frustração possa minar a sua confiança e foco.

5. Assuma o controle das auto-verbalizações negativas: “pensamento negativo” Reenquadre com sugestões de tarefas positivas orientadas: Inicie tomando consciência de situações que fazem você ficar frustrado, apressado, intimidado, perder o foco. depois reenquadrar a negatividade, acionando a tenacidade mental através de auto-sugestões positivas Exemplo do Basquetebol: Em vez de dizer “Eu tenho de incestar como se a minha vida dependesse disso”, liberte-se dessa pressão negativa, reformule essa vontade em algo mais positivo e orientado para tarefa “dê uma boa olhada no cesto, veja-o, sinta-o, ganhe confiança.”.

6. Olhe para o fracasso como um trampolim para a realização futura: A abordagem dos campeões para superar a adversidade é: Jogar para ganhar, em oposição a temer cometer um erro Ele falhou 9.000 lances, perdeu 26 jogos em que lançou para ganhar, perdeu 300 jogos – Michael Jordan, NBA 6 vezes Campeão do Mundo. ”Eu falhei repetidamente, é por isso que eu consegui” Concentre-se no processo de competir com elevado desempenho. Diferencie-se, impulsione-se a ter um elevado desempenho, quando mais importa. Uma das técnicas que tem vindo a comprovar-se como tendo grande eficácia no treino das competências e habilidades psicológicas anteriormente descritas é a auto hipnose.

Para aprofundar este assunto, leia: 7 Passos explicam a auto hipnose para atletas. AUTODOMÍNIO E MOTIVAÇÃO A capacidade do atleta para controlar elementos mentais e emocionais auxilia o desempenho de tarefas, bem como a criação de uma base psicológica para a confiança e bem-estar (Boyd & Zenong, 1999).

Quando o atleta possui um elevado domínio dos seus recursos psicofisiológicos, quando sabe mobilizar as suas capacidades, habilidades e competências físicas e mentais aumenta drasticamente o seu desempenho.

No entanto, quando a capacidade do atleta para controlar o seu estado psicológico é diminuída, afeta redondamente todos os seus recursos, inibe o seu potencial diminuindo a autoconfiança, bem-estar e desempenho.

Assim, a primeira premissa no treinamento das habilidades mentais é a implementação de uma metodologia de autodomínio, promovida através do autoconhecimento, para melhorar o estado psicológico do atleta (o estado de forma). Como qualquer forma de treinamento, os métodos para desenvolver o autoconhecimento exigem metas especificadas no tempo, distintas e definidas. Além disso, o tempo reservado para a prática das estratégias mentais, e a crença dos métodos utilizados, requerem um certo nível de motivação, ainda mais, do que o treinamento baseado na condição física e técnica que tem resultados quantificáveis desde o início, e podem ser avaliados e medidos com regularidade.

No treinamento das estratégias mentais a paciência é um aliado promotor, assim como a confiança na sua aplicação, porque os resultados podem não aparecer de imediato. Dica: Manter a motivação individual com paciência e persistência é importante desde o início. As dificuldades iniciais associados à implementação de um programa de treinamento de estratégias mentais, podem ser dissipadas determinando as características motivacionais ou o grau de motivação por trás do objetivo que o atleta possa ter para melhorar o seu desempenho.

Para aprofunda este assunto leia: 5 Estratégias mentais para potenciar o treinamento esportivo A motivação intrínseca deriva de um desejo de atingir uma determinada realização específica. Em vez de definir-se a partir da perspectiva de agentes externos, o atleta orienta-se por si mesmo, o sucesso estabelece uma forte relação com as performances realizadas anteriormente, independentemente da recompensa externa (Dishman, 1984). É na relação que o atleta estabelece consigo mesmo, com o seu desejo de alcançar um determinado desempenho que tudo pode ser potenciado, ou ao invés auto sabotado.

Se o atleta consegue estabelecer uma forte ligação entre o seu nível motivacional e associar-lhe um elevado sentimento de crença, certeza e possibilidade de vir a atingir o objetivo desejado, ele cria o seu próprio estado mental favorável.

O atleta passa a ser um facilitador e promotor do seu desenvolvimento e crescimento atlético. Se o atleta conseguir desenvolver a capacidade de criar envolvimento com o seu treinamento, tendo como chama, combustível ou potenciar os sentimentos e emoções que espera vir a sentir no momento em que conseguir realizar a performance desejada, criará uma enorme vantagem competitiva.

Para aprofundar este assunto leia: O poder das emoções nos esportes Como gerir as emoções nos esportes A motivação intrínseca permite ao atleta uma perspectiva mais objetiva de si mesmo, diminuindo uma posição egocêntrica, que normalmente seria associada com a motivação externa, e libertando o atleta para ver o seu desempenho como um meio de autodesenvolvimento.

Compreendendo isso, o atleta aumenta o seu nível de consciência dos recursos psicológicos que possuí, conseguindo orientar diariamente a sua atenção para a importância da persistência no treinamento intencional (emoção focada na tarefa).

A reter: A intenção focada nas emoções como potenciador do processo de treinamento, é vital para um contínuo progresso na performance esportiva. É importante que o atleta não se limite por acontecimentos externos, como por exemplo motivar-se apenas para “ganhar” ao seu adversário. Este tipo de motivação à primeira vista até pode parecer benéfico. Mas, na verdade tem muito mais de prejudicial do que vantajoso.

O atleta deve focar-se naquilo que ele pode influenciar, que é a si mesmo. Se o atleta não abrir a porta para fins muito mais elevados de desempenho, certamente irá enfrentar duros obstáculos à melhoria. Existe uma elevada incontrolabilidade inerente aos eventos externos.

Se o atleta pretende potenciar-se ao máximo, criar uma mente tenaz, com característica psicológicas facilitadoras que lhe permitam projetar-se mais além, deverá esforçar-se por focalizar-se principalmente nas coisas que acredita ser capaz de realizar. O atleta conscientemente deverá imaginar o que pretende alcançar, construir na sua mente imagens o mais claras possível e associar-lhe um forte sentimento (sentir no corpo o seu desejo e realização).

É esse estado psicofisiológico que deve promover no seu treinamento. É nesse estado que deve propor-se às tarefas exigentes do treinamento. Treinar como se soubesse que aquilo que pretende irá ser alcançado, certificando-se que todo o seu ser está envolvido no treinamento que realiza diariamente. Perante a autoridade da motivação intrínseca, o atleta aumenta drasticamente as possibilidades de auto-desenvolvimento e auto-aperfeiçoamento. A saber: Antes do treinamento das estratégias psicológicas (mentais) importa fazer uma avaliação da motivação (emoção e ação) subjacente aos objetivos desejados.

É importante por causa da natureza qualitativa dos resultados e progressão gradual do treinamento geral (físico e psicológico). COMO OS ATLETAS DE ELITE MANTÊM O SEU FOCO? Parte da resposta é que eles são capazes de imaginar a cena uma e outra vez num ciclo repetitivo de construção positiva do cenário competitivo. Mas, o que define mentalmente os atletas de elite do resto de nós? Como é que eles são capazes de ir além dos seus limites comparativamente ao mero dos mortais? A prática da imagética mental que é composta por três tipos de imagens mentais distintas (ensaio mental, visualização e imagética) é uma das ferramentas que os atletas podem usar para atingirem o seu potencial psicológico máximo, e consequentemente o físico. Para um atleta de elite, dominar todos os fatores mentais é tão importante quanto dominar as várias habilidades físicas.

A saber: Existem cinco fatores mentais que podem ser treinados para potenciar ao máximo o rendimento esportivo dos atletas. A Motivação, confiança, capacidade de lidar com a pressão ou stress, a capacidade de foco e as emoções. Os melhores atletas conseguem agregar estas cinco áreas, tornando-as numa vantagem competitiva. Todos os fatores se inter-relacionam e facilitam a elevada performance, mas existe um que se destaca de todos os outros e que estabelece uma forte relação com a motivação, que é a confiança.

Quando o atleta tem um forte sentimento de confiança emerge uma forte motivação. A motivação (emoção + ação) garante o combustível para a preparação, e a boa preparação torna-se em confiança. O fator psicológico mais importante é a confiança. A confiança funciona como o gatilho que permite potenciar e aumentar a eficácia dos restantes fatores. O atleta pode ter toda a capacidade do mundo para ter sucesso, mas se não acredita que tem capacidade para produzir um resultado de topo, não vai ter sucesso.

UM CASO PESSOAL - A confiança nunca foi um problema para Carlos Calado, atleta treinado por mim entre 1995 e 2002. Calado várias vezes me disse que nunca acreditou que havia limites para o que podia fazer. A mensagem que mais corria na sua cabeça era: “Acho que o fator chave é nunca deixar-me acreditar que há um limite” Na verdade se o atleta tiver a crença de que existem limites, fica num beco sem saída. Refiro-me aos limites evolutivos da sua capacidade de produzir melhores resultados.

Calado em 2001 participou nos Campeonatos do Mundo de Edmonton no Canadá, na disciplina do salto em distância, onde foi medalha de bronze com a marca de 8,21m. Mas por trás deste resultado estiveram as qualificados aterradoras.

Dois dias antes da final, tiveram lugar as qualificações. Os atletas qualificavam-se diretamente com a marca de 8,05m. Calado saltou 7.88m tendo sido décimo qualificado (qualificando-se apenas 12 atletas). Ficou alarmado, na semana anterior todos os testes indicavam que estava em forma e durante os treinos tinha saltado várias vezes acima dos 8,00 metros.

Após uma revisão do que poderia ter acontecido, conseguimos identificar o problema que dificultou a qualificação. Um acontecimento fora do comum durante o aquecimento que antecede a competição tinha-lhe afetado o seu tónus muscular, ficando com menos capacidade contrátil nos músculos.

No outro dia voltámos ao local de treino, fizemos alguns testes e tudo tinha voltado à normalidade, ele sentia-se bem. No dia da competição final, e depois do aquecimento pré-competitivo, antes de entrar no estádio para ir competir, eu e o Carlos Calado trocámos algumas palavras. Eu disse-lhe: “Hoje vai correr bem.” Ele respondeu: “Nunca me senti tão confiante, hoje vou ganhar uma medalha.” Calado ganhou a medalha que tanto desejava, e com a qual se tinha imaginada muitos meses antes do Campeonato do Mundo.

O ESTADO DE FORMA É UM ESTADO PSICOFISIOLÓGICO - Tudo o que o atleta treina diariamente tem como objetivo produzir o melhor resultado possível em competição. O treinamento físico é preponderante para o atleta aumentar a sua condição física, melhorar as questões técnicas do seu esporte, e ir aprimorando a tática que possa ser aplicada em competição. Não existe atividade motora sem atividade mental.

O que pensamos influencia a forma como nos comportamos. O que pensamos influencia igualmente a forma como nos sentimos. Ou seja, durante o treino estes três processos inter-relacionam-se. O atleta durante o treino pensa, sente e age. É nesta inter-relação que é criado um determinado estado de ser, um determinado estado psicofisiológico. Quanto mais autoconhecimento o atleta tiver acerca da forma como pode influenciar positivamente o seu estado de ser, o seu estado psicofisiológico, mais rendimento terá no seu treinamento. Os estados de ânimo influenciam todo o nosso comportamento.

Os treinadores preocupam-se tremendamente com a programação do treino físico, quantidades, volumes, frequências, intensidades, entre outras. No entanto, independentemente daquilo que se faz, a forma como se faz joga um fator preponderante na progressão do atleta.

O envolvimento emocional que o atleta coloca no seu treinamento, o domínio das estratégias psicológicas que evidencia e o grau de confiança que tem em si mesmo, podem promover ou sabotar o estado de forma ótimo que tanto se quer atingir. Concluindo: Promover diariamente o estado psicofisiológico ótimo do atleta, é um fator potenciador de todos os conteúdos do treino.

Miguel Lucas




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